ArtigosE os Brancos? E que eles em a ver com o Racismo? Qual é o papel deles nessa pauta?

AD Junior1 mês ago153820 min

 

Já vou logo adiantando que ele não terão nenhum papel de protagonismo, mas eles precisam entender que a história vai cobrá-los tudo o que estão fazendo hoje e no final do texto eles poderão responder a pergunta que deixarei lá.

Primeiramente é importante lembrar que o racismo é coisa de branco. Sim, foram os seus antepassandos que que inventaram a divisão de privilégios baseados na cor e por isso eles precisam antes de se posicionar ter vergonha do passado dos seus ancestrais. A cultura da vergonha como existe na Alemanha, onde os alemães tem todo cuidado de não repetirem nem de longe, discursos e comportamentos que levem a abertura para que o anti-semitismo volte a acontecer na fala, no gesto e na atitude. Contudo, precisamos conversar sobre como se pode fazer essa transição no Brasil de quase sempre silêncio e muitas vezes da ignorância ao posicionamento firme em relação a essa pauta que nos é tão cara?

Talvez olhando o passando e entendendo a história, possamos encontrar algumas dicas interessantes de como outras gerações conseguiram lidar com isso. Nos anos 60 nos Estados Unidos atores como Paul Newman, Marlon Brandon se juntaram a Josephine Baker, Martin Luther King e James Baldwin na marcha dos 100 mil em Washington e se posicionaram desde de Nova Iorque até Holywood. Eles foram importantes vozes que falaram do lado deles sobre a luta contra o racismo e a discriminação.

Pergunta:  “Ad passando pano para brancos?” Jamais meus amigos, mas precisamos entender que é a primeira vez que vemos uma parte de uma geração inteira de brancos brasileiros procurando saber sobre o assunto e que estão falando do racismo. Estamos vendo parte dos brancos brasileiros questionarem o comportamenton da sociedade dos seus avós e seus pais e até a si mesmos.

E sempre quando há um racha na branquitude, minorias conseguem promover um avanço. Foi o racha na branquitude americana que gerou uma guerra civil e terminou com sistema da escravidão nos Estados Unidos em 1865. E não é a primeira vez, essas ondas já aconteceram na Inglaterra nos anos de 1800, quando até a tataravó da princesa Diana, a duquesa Georgina de Devonshire juntou seu amigo de infância, Charles Grey, na tentativa de convencer vários membros da aristocracia inglesa de que a escravidão era um grande absurdo e precisava ser abolida.

Naquele momento a sociedade britânica debatia a escravidão em um debate que acabou vencendo o lado que se opunha ao sistema perverso e impôs leis duras contra o mercado de tráfico de pessoas que agora se transformava em tráfico ilegal. Charles Grey aboliu a escravidão quando se tornou primeiro ministro.

Eles eram santos? Jamais.  Por outro lado, foram essas pessoas ajudaram do lado deles a convencer parte da opinião pública de que a sociedade necessitava discutir a questão. Os brancos precisam ter vergonha do passado dos seus ancestrais que nos causaram tantas dores e principalmente desvantagens sociais quase irreparáveis.

Nós negros guardamos muitos ressentimentos em relação aos brancos, e não é mentira que vamos sempre ter o pé atrás no primeiro contato. Vocês – brancos – Acreditaram que não, que éramos quase da família, que estávamos felizes com um faqueiro, com uma mísera caixinha de final de ano.  É natural e eu mesmo não dava muita confiança no primeiro momento, devo confessar. Depois de tantos anos sendo ignorado e tratados como animais domesticados por essas pessoas é muito difícil chegar de braços abertos: “Oi Amiguxuu!”.

A verdade é que com o tempo começamos a realizar e aprender que abrir para um diálogo é mais do que necessário é também uma forma de criar pontes para que a nossa mensagem chegue a ouvidos que jamais iriam ouvir nossa voz;

A filha do ministro, o filho da cantora, o sobrinho do juiz, a prima do diretor da penitenciária… A professora, a diretora da empresa, a jornalista, a gerente em desconstrução. Essas pessoas são hoje, mesmo que sem entender toda a complexidade da pauta anti-racismo, aliados que precisamos do lado de lá. Lembre-se de Bobby Kennedy ouvindo as pautas dos negros nos Estados Unidos, que explicou ao Irmão John Kennedy a importância do momento que estava acontecendo na frente dos olhos de todos.

Na nossa caminhada pela igualdade de direitos, o protagonismo é nosso e disso não abrimos mão; Mas precisamos dos lobistas, do back-office, daqueles que vão nos ouvir. E não somente brancos, nós precisamos de todos os aliados que pudermos encontrar o quanto antes!

Precisamos do pastor evangélico que reconhece que a eugenia estar por trás da ideia de limpeza do corpo negro e de algumas liturgias em sua religião que enforcam esteriótipos racismo. Precisamos que judeus brasileiros entendam que os semitas americanos contribuíram efetivamente a caminhada da associação negra NAACP, enquanto outros judeus contribuiram com desmistificação do Jazz no cenário musical por exemplo.

Entender que no campo da ciência, Albert Einstein chegou a questionar a segregação americana dizendo que a maior mancha dos Estados Unidos, país que o acolheu como refugiado durante o período do holocausto era o racismo que encontrou na sociedade americana. Ele chegou a dar aulas para alunos negros em protesto.

Enfim, o racismo atual é um efeito colateral da ignorância, que começa no século XIX com ideologias sobre a incapacidade do negros e vira uma ciência amplamente aceita pelos brancos, que passa a fazer parte da constituição brasileira em 1934, ou seja,  o problema do racismo não é um problema nosso. Ele é a história de como os brancos se mostraram incapazes de lidar com o final de um sistema econômico de exploração de um continente inteiro e que ainda continua existindo na cabeça de muitos brasileiros.

Então ficam as dicas aos brancos que desejam ajudar e entender:

  1. – Não sejam donos da pauta. Estejam antenados a ouvir e sempre entender que sua voz é relevante mas o lugar de fala é nosso, ou seja… Não seja protagonista, nos convide para falar, consultar e explicar o que está acontecendo. Mas nos pague, se quiser um consultor saiba que esse consultor estudou muito para adquirir o know-how que você nunca se atentou a estudar em toda sua caminhada desde a universidade.
  2.  – Vai doer. Nós seremos duros em nossas falas e não negociaremos em medir palavras. Tão quanto é dura a nossa realidade todos os dias, assim serão as palavras que vocês irão ouvir na caminha. Se a carapuça servir é por que o bichinho da desconstrução está funcionando.
  3.  – Leia autores negros, assista conteúdo negro e acompanhe os negros e negras que estão nas redes. Eles tem muita vivência e você pode aprender bastante observando.
  4.  – Não tenha medo de perguntar, mas sempre tenha o cuidado para não ofender. O uso incorreto das palavras em uma sociedade eugenica ainda é costumeiro mas com um pouco mais de atenção ninguém fica chateado.
  5.  – Temos ressalvas com brancos mas isso faz parte de um processo de 500 anos de negação das nossas pautas. Não é nada pessoal, nós lidamos com os brancos no coletivo.
  6.  – Você não precisa adotar uma criança negra para deixar de ser racista. Mas você pode adotar uma criança negra entendeu?
  7. – Pelo amor de Deus não vá à África e tire fotos com bebês negros e poste nas suas redes sociais. Entenda como aquele orfanato é resultado do pós colonialismoe terá vergonha de tirar qualquer foto.
  8.  – Falar essas pautas não é última moda do momento e a nossa última chance de mudar de vez os rumos desse país.
  9.  – Tente traçar uma linha histórica sobre as história dos negros no Brasil, vai ficar bem fácil entender do que estamos falamos. As leis que nos proibiram de sermos lidos como cidadãos plenos e quais foram as leis que beneficiaram os brancos no século XX.
  10.  – Brancos brasileiros sabem que jamais poderão ter entrada para empregadas nos Estados Unidos ou fazer festas que celebrem a herança do Sul do país. Qualquer alusão ao holocausto na Alemanha deve ser feita com respeito. Então por que insistem em fazê-lo no Brasil? O Brasil precisa parar de amar a sua herança escravocrata e portanto não use nossos corpos para o entretenimento.

Daqui a 50 anos o Brasil vai estudar aos nossos tempos e a pergunta será: E você branco brasileiro, de que lado você esteve durante as discussões sobre o racismo e as pautas de inclusão do negro na sociedade nos na primeira metade dos anos 2000? Você esteve do nosso lado ou mais uma vez atrapalhou o processo civilizatório de nossa sociedade?

Nos fotos que ilustram artigo trazem brancos americanos que se colocaram na linha de frente e foram até mesmo presos durante os protestos contra a discriminação racial quando ainda era legal a segregação no país. Veja que nenhum desses rostos conhecidos ou desconhecidos se tornaram protagonistas da pauta. Fizeram Simplesmente por que acreditaram na decência e na dignidade da pauta que era proposta. Ou seja fizeram o que traria o avanço civilizatório da sociedade por que não aceitaram calados as injusticas cometidas por um sistema perverso e cruel.

 

AD Junior

Empresário, Jornalista Digital, Palestrante e YouTuber.

One comment

  • Pablo Rodrigo

    21 de fevereiro de 2019 at 17:47

    Fui lendo, sem impor a sua fala fui acompanhado o audio e o texto,pois então “Mama na vaca você não quer ,não né…..(Brancos)” ficou mastigado e cuspido que por mais seja lido talvez elenão entendam o tal 50 anos, ja que em seculos poucos se opuseram ao Racismo escancarado, na cara limpa e sem pretextos da realidade humana. Junior, tá fácil como mel na bata doce, mas contudo e com todos os negros as divisões ja foram feitas e este retrocesso não terá mais volta dos conceitos diante da mentalidade escravagistas dos brancos. Continuemos 50 anos e 100 décadas a evoluir ideias sobre a historia.

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